sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Entrevista à autora Tânia Dias de "Despedaçada"

Olá! Recentemente tive a oportunidade de entrevistar a autora do livro "Despedaçada": Tânia Dias, e desde já agradeço a sua disponibilidade. Assim, deixo-vos aqui a mesma para a conhecerem melhor e ao seu trabalho!

1. Escrever é uma paixão ou uma vocação?
- "Acho que ambos. Escrever um livro é um compromisso que envolve sacrifícios como deixar de sair com os amigos para terminar um capítulo e, por isso, é necessário gostar mesmo do que estamos a fazer. É também necessário um pouco de vocação ou toda a gente escreveria um livro, é necessário ter já um certo jeito com as palavras, contudo, a prática leva à perfeição e como em muitas outras artes, quanto mais alguém praticar melhor fica. Eu, por exemplo, já escrevo há mais de 5 anos e quando comecei a minha escrita não era em nada semelhante ao que é agora; por isso, não pensem que o facto de não serem "perfeitos" logo no início, significa que nunca o vão ser."

2. Quando deste conta de que queria ser escritora?
- "Desde que comecei a escrever. Mas no início não queria ser escritora como em autora com livros publicados, queria apenas ser alguém que criava textos que transmitiam aos outros diferentes sensações e que os faziam viajar para outro mundo. Só soube verdadeiramente que queria publicar o livro e partilhá-lo com mais gente, quando recebi o meu primeiro "o teu livro é mesmo fixe devias enviá-lo para editoras". Nesse momento entendi que gostava de ouvir isso mais vezes!"

3. Quais são as tuas manias e obsessões literárias?
- Acho que não tenho nenhuma… Bem, eu costumo guardar as passagens que mais gosto no telemóvel e depois pô-las a passar no ecrã. Adoro fantasia, é o meu género literário favorito. Contudo, também aprecio bastante livros sobre futuros distópicos e todo o tipo de coisas com aventura, romance, mistério…"

4. Que leitura é imprescindível no teu dia-a-dia?
- "Infelizmente, há dias em que me encontro sem um único segundo para dedicar à leitura e, por isso, tive que aos poucos aprender a viver sem ler diariamente. Mas quando posso, leio sempre um pouco de fantasia."

5. O que mais te incomoda no meio literário?
- "No português? Acho que falta muito apoio aos autores portugueses. As nossas lojas preferem o estrangeiro ao nacional e muitas vezes os leitores também, o que se torna um pouco desmotivante, principalmente para quem está a começar."

6. Quais são as circunstâncias ideais para escrever?
- "Eu gosto de escrever à noite quando já toda a gente aqui em casa está a dormir, de preferência com um fone no ouvido e uma música bastante deprimente a tocar. Mas a inspiração surge mais em aulas ou a meio do estudo, quando não posso escrever ahaha. Tenho de admitir que escrevo mais quando estou "emocional", é mais provável conseguir escrever quando estou zangada ou extremamente feliz do que quando estou "normal"."

7. Quais são as circunstâncias ideais para ler?
- "Dia frio, lareira acesa e o meu cão encostado às minhas pernas! Ou então dia de sol e uma boa cadeira no jardim! Mas qualquer altura é boa para lermos, desde que nos apeteça!"

8. O que consideras ser um dia de trabalho produtivo?
- "A escrita nunca é trabalho! É sempre lazer! Mas considero que foi produtivo se tiver conseguido terminar a cena que me fez ir, inicialmente escrever. A cena pode variar de umas linhas, a uma páginas ou a vários capítulos!"

9. O que te dá mais prazer no processo de escrita?
- "Provavelmente ver as personagens e os mundos que só existiam na minha mente aparecerem no papel e ver que elas – as personagens – acabam por ganhar uma espécie de vida própria, seguindo o seu próprio rumo."

10. Qual o maior inimigo de um escritor?
- "Ele mesmo. Quer dizer, só posso falar por mim, mas eu sou a minha pior inimiga. As dúvidas e a insegurança foi sempre aquilo que me impediu de avançar durante vários anos. Eu não tinha confiança naquilo que escrevia e por isso não via porque haveria de continuar uma história que estava destinada a não chegar a lado nenhum. E duvidava frequentemente de tudo aquilo que escrevia, acabando por apagar quase tudo. Felizmente, as pessoas à minha volta, aos poucos, convenceram-me a acreditar naquilo que fazia e o resultado é Despedaçada!"

11. Quando a inspiração não vem…
- "Ou se olha para o ecrã do computador até ela vir. Ou vai-se ver séries! Ou lê-se! Uma dessas três coisas!"

12. Qual a tua maior preocupação ao escrever?
- "Causar impacto no leitor. Se um livro não envolver o leitor ao ponto de ele sentir o que a personagem está a passar, o autor falhou. Se o leitor não sentir empatia para com as personagens, o autor falhou. Se o leitor não ficar devastado quando o livro termina, não pelo o que aconteceu, mas pelo simples facto de o livro terminar, o autor falhou."

13. Quais as fontes mais importantes a que recorreste e o que mais te surpreendeu?
- "Eu fiz bastante pesquisa principalmente para os nomes dos locais e para a linguagem dos Deuses. Eu queria que tudo tivesse um simbolismo e, por isso, investi bastante nisso; o resto veio tudo da minha cabeça!"

14. Qual a maior lembrança que guardas relacionada com o teu livro “Despedaçada”?
- "Algo de que nunca me vou esquecer é da festa que uma amiga minha organizou em minha honra, poucos dias depois de ter terminado o livro. Não estava nada há espera! E estava lá toda a gente que foi importantíssima para a minha jornada com Despedaçada, foi mesmo algo muito especial. Também nunca vou esquecer o dia em que recebi o "sim" da editora! Primeiro pela felicidade que foi, já não estava há espera que a editora me respondesse e muito menos que fosse um sim. Depois, porque os meus pais não sabiam da existência de Despedaçada e, por isso, foi engraçado chega a beira deles e contar-lhes que queriam publicar o meu livro."

15. Qual das personagens do livro “Despedaçada” mais te marcou?
- "Provavelmente a Alexia. Como autora, eu não devia ter favoritos, mas a Alexia é a primeira personagem que foi criada completamente por mim e, por isso, vai ter sempre um lugar muito especial no meu coração. Além disso, as personagens, para mim, são quase como pessoas e eu orgulho-me imensamente da Alexia."

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