terça-feira, 10 de novembro de 2015

Opinião: "As Instruções da Pitonisa" - Erik Axl Sund

Título: As Instruções da Pitonisa (As Faces de Victoria Bergman #3)
Autor: Erik Axl Sund
Editora: Bertrand Editora
ISBN: 9789722528825
Páginas: 384
Sinopse: Um carro é devorado pelas chamas em Tantoberget. No interior, estão os corpos carbonizados de duas mulheres, as principais suspeitas dos assassínios em série das antigas alunas do internato de Sigtuna que Victoria Bergman frequentou. Na posse de uma delas, a polícia encontrou várias polaroides dos assassinados rodeados por túlipas amarelas. A detetive Jeanette Kihlberg compreende que, sob a aparência de suicídio a loucura mortífera prossegue o seu caminho. Sofia Zetterlund mantém as sessões de autoterapia para tentar, finalmente, compreender quem realmente é. Victoria Bergman recusa-se a ser dominada e ameaça continuar. Entretanto Madeleine, pensa na sua próxima vítima. É tempo de pagar.

Opinião (contém spoilers):
Depois de ter terminado dois volumes com uma história fantástica que me prenderam do início ao fim, posso dizer que estava curiosa e, de certa forma, ansiosa por iniciar este terceiro e último volume da trilogia. Mais uma vez, a capa deste livro é algo enigmática, mas também apresenta uma certa fachada mais negra que em tudo tem a ver com a narrativa.

Mais uma vez, o desenrolar da história trouxe consigo ação, suspense, brutalidade e um certo horror. No entanto, acho que não chegou ao nível dos dois livros anteriores. Talvez porque, neste último volume, a vertente criminal da história esteve mais focada na resolução dos casos pendentes do que propriamente nos crimes em si. Não quero com isto dizer que a história deixou de ter a sua componente viciante, mais agressiva ou mesmo de repulsa. Contudo, considero que não chegou àquele nível que ao autores nos habituaram nos livros anteriores. Apesar disso, as temáticas trabalhadas continuam a fazer-me pensar/refletir acerca destes temas sombrios e brutais que em tudo são causados pela vertente mais negra e, provavelmente, menos conhecida da mente humana.

O segundo livro terminou com a descoberta da identidade de uma nova personagem: Madeleine. Esta viria a ser filha de Victoria Bergman e do seu pai (que seria também sua irmã e seu avô, respetivamente). Com sede de vingança, Madeleine corre Estocolmo com o objetivo de fazer pagar aqueles que a fizeram sofrer. Apesar da sua frieza e insensibilidade aquando dos assassinatos, ao longo da história as razões pela qual faz isto são conhecidas. E, aí, consegui entender melhor qual o background da sua vida e história.

Seguindo a lógica da narrativa, também neste volume, Jeanette continua a sua luta e investigação para descobrir o suspeitos dos casos mais brutais que assolaram a cidade de Estocolmo nos últimos tempos. Com o desenrolar da investigação, Jeanette começa a perceber um padrão de pessoas que parecem estar ligadas a todos os casos. Sem nunca baixar os braços e ignorar o seu instinto, com a ajuda dos seus colegas, ela consegue as resposta de que andava à procura. Contudo, no decorrer da investigação, Jeanette perde testemunhas que a poderiam ajudar.

Victoria Bergman é uma outra personagem principal que vemos uma grande evolução ao longo do livro. Com uma panóplia de identidades que esta foi desenvolvendo de forma a conseguir viver com os traumas a que foi sujeita durante a infância, Victoria vê-se obrigada a fazer qualquer coisa para mudar a sua vida. Assim, ao longo deste volume apercebemo-nos de que esta trata de eliminar as demais identidades. Desta forma, Victoria Bergman permanece, tal como Sofia (a identidade que esta arranjou para não ser encontrada através de Victoria). Ou seja, Victoria é quase como que a vertente psicológica, pois Sofia é aquela que vemos. Também alguns aspetos do seu passado são revelados durante a narrativa. E aqui percebemos que muitas das coisas de que era acusada, não era na realidade aquilo que aconteceu.

A identidade do suspeito que Jeanette procurava desde o primeiro volume foi então revelada. Sofia ajudou com os seus conhecimento da área da psicologia e psiquiatria e, juntamente com a agente da polícia, conseguiram desvendar o caso. Confesso que devido à ausência da personagem na narrativa apesar de esta ser mencionada algumas vezes, já estava à espera que fosse aquela personagem o suspeito. Contudo, fiquei surpresa e até pasmada com a razão que o levou a fazer algo assim tão desumano. Mas foi a isto que Erik Axl Sund nos habituou: momentos de surpresa que nos deixam sem palavras.

Apesar de o final não ter sido aquele de que estaria à espera (salvo o suspeito ter sido em quem eu achava que era), acho que o final de cada uma das personagens ficou muito em aberto em sem qualquer resposta definitiva. Victoria saiu da cidade deixando a sua vida em Estocolmo para trás, Jeanette desvenda o caso e fica sem Sofia, as restantes personagens ficaram sem o seu final digno, na minha opinião.

Em suma, “As Instruções da Pitonisa” completa uma trilogia fantástica e, à sua maneira, conseguiu que todas as peças do puzzle se ligassem. Foram três livros magníficos que permitiram ao leitor conhecer vertentes mais brutais da mente humana e perceber melhor os transtornos que podem moldar toda a perspetiva e vivências das pessoas. Apenas não dou 5 estrelas, porque considero que ficou um pouquinho aquém daquilo que estava à espera. É com certeza um livro que recomendo vivamente e uma trilogia que irei reler em breve!


Rating: 4/5

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