quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Opinião: "A Rapariga-Corvo" - Erik Axl Sund

Título: A Rapariga-Corvo (As Faces de Victoria Bergman #1)
Autor: Erik Axl Sund
Editora: Bertrand Editora
ISBN: 9789722526159
Páginas: 368
Sinopse: A psicoterapeuta Sofia Zetterlund está a tratar dois pacientes fascinantes: Samuel Bai, um menino-soldado da Serra Leoa, e Victoria Bergman, uma mulher que tenta lidar com uma mágoa profunda da infância. Ambos sofrem de transtorno dissociativo de personalidade. A agente Jeanette Kihlberg, por seu lado, investiga uma série de macabros homicídios de meninos em Estocolmo. O caso está a abalar a investigadora, mas não tem tido grande destaque devido à dificuldade em identificar os meninos, aparentemente de origem estrangeira. Tanto Jeanette como Sofia são confrontadas com a mesma pergunta: quanto sofrimento pode um ser humano suportar antes de se tornar ele próprio um monstro? À medida que as duas mulheres se vão aproximando cada vez mais uma da outra, intensificam-se os segredos, as ameaças e os horrores à sua volta.

Opinião (contém spoilers):
"Podemos ser maus se não nos sentirmos culpados? Ou será que o sentimento de culpa é condição para a maldade?"

Para ser sincera, não sei muito bem por onde começar com esta minha opinião acerca deste livro maravilhosooo! Ainda estou sem palavras, e já acabei de o ler faz algum tempo! Que livro fantástico! Apesar de algo perturbador. Primeiro de tudo, a capa. Misteriosa, obscura, sombria! Quando vi o livro, a primeira coisa em que pensei foi que iria gostar do livro, de certeza. E não pensem que a narrativa não tem nada a ver, porque tem! E é tão boa que se devora!

A narrativa conta com duas personagens que se podem dizer de principais. Em primeiro lugar, temos Jeanette Kihlberg, uma agente policial que é confrontada com o aparecimento constante de cadáveres de crianças em Estocolmo com sinais evidentes de tortura. Depois, temos Sofia Zetterlund. Uma psicoterapeuta que está, atualmente, com mãos em dois casos importantes: Samuel Bai - uma criança-soldado da Serra Leoa que foi treinado para matar - e Victoria Bergman - uma mulher já adulta que em criança foi vítima de abusos sexuais e que apresenta sinais de personalidade múltipla e transtornos sociais. Ao longo da narrativa, estas duas personagens dão o que têm para conseguirem fazer o seu trabalho: Jeanette para apanhar o culpado de tais atrocidades e Sofia para ajudar os seus pacientes a ultrapassarem os fantasmas do passado.

A narrativa desenvolve-se em torno de temas como a pedofilia, a tortura, a violência, a doença e a guerra, atrocidades cometidas pelos seres humanos, mas que nunca ninguém pensou verdadeiramente sobre eles. O livro traz até ao leitor, através de linguagem bastante descritiva e visual, intensa e forte, o cerne destas questões que a mente humana, por vezes, descarta. Apesar do conteúdo macabro e perturbador que os autores transmitem, a linha condutora da narrativa é enigmática mas genial! Apesar de os capítulos serem curtos, estes são bastante descritivos permitindo que o leitor reflita e digira os assuntos descritos, uma vez que são algo perturbadores, como já disse!

Perto do final do livro, há uma reviravolta de que não estava nada à espera! Pelo menos, não me tinha apercebido de nada que indicasse tal acontecimento! Aquando da leitura dos últimos capítulos, percebemos que, afinal, Victoria Bergman é Sofia Zetterlund, a psicoterapeuta! Totalmente mórbido, mas ao mesmo tempo tão provocante!

Apesar de se tratar de um thriller psicológico, ultrapassou completamente as altas expectativas que já tinha para este livro! No final, a narrativa ficou em aberto para continuar no próximo livro da trilogia: "Fome de Fogo". Mal posso esperar por lhe pegar! ANSIOSA!


Rating: 5/5

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